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- - -  maré
 

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mistério de brilho azul

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escorre pelas mãos em concha

evapora ao sol

salga a pele da terra

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indisponível

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encanta o som balbuciado

que os ouvidos imersos ouvem

enquanto o corpo flutua

na

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

imprevisibilidade

 

 

 

 

dessa força.

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indisponível

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indisponível

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as formas

 

 

 

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o sabor

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a vida inesperada

desse ser

que espuma

por sobre as pedras,

por sobre a areia,

por sobre

a própria superfície

e pinta de branco

o espelho do céu.

esse mar que é lar

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que acolhe

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que afoga

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e que afaga.

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pleno

suficiente

vasto.

 

 

 

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mar é magnetismo.

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ouse mergulhar.

 

 

 

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O ensaio MARÉ nasceu de uma vontade súbita de sentir o mar, a centenas de quilômetros de disância. A água, da torneira da cozinha, com um punhado de sal, ganhou nobreza de oceano. A janela aberta deixou entrar a brisa, companheira inseparável da beira do mar. Enquanto as conchas, colhidas em uma não tão recente temporada litorânea, eram espalhadas, as canções de Caymmi e de Bethânia cantaroladas traziam na melodia o balanço das ondas. As imagens foram se formando com o movimento do corpo se estendendo à câmera, com o molhar das mãos no frequente rearranjo das conchas, com o sentir-se parte dessa harmonia infinita.

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